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FÓRUM SOCIAL MUNDIAL
Apresentamos este manifesto saudando os lutadores vindos de várias partes do mundo e que estão em Porto Alegre neste final de janei-ro. Para o MLS - Movimento de Luta socialista - as atividades que congregam as organizações oposito-ras ao neoliberalismo em todo o mundo devem ser estimuladas e re-conhecidas como a forma de "globa-lizar" a luta, resistência e combate não só ao modelo neoliberal, mas todas as formas capitalistas de acu-mulação. Desejamos que o FSM reflita os interesses históricos e imediatos da classe trabalhadora e das amplas camadas excluidas do sistema: que reflita as mobilizações de Seattle e Praga, as greves européias e argen-tinas, a resistência dos palestinos contra o sionismo, as mobilizações do Equador, Bolívia e Paraguai e especialmente a luta contra o Plano Colômbia; que reflita ainda as ações diretas dos sem terra, desemprega-dos e sem teto do mundo afora. Muito mais que um fórum de discus-são da esquerda reformista, é preci-so termos clara a necessidade da luta pela destruição do capitalismo como uma tarefa urgente dos tra-balhadores. Globalizam a riqueza, nacionali-zam a miséria... A década de 90 assistiu um vio-lento ataque a diversas conquistas da classe trabalhadora de todo um período anterior, ( mesmo o direito ao emprego) o que elevou os índi-ces de exclusão, miséria e fome desde a década de 70. Isso de-monstra que não se trata apenas de uma crise de momento do sistema, mas de um movimento objetivo de nova cumulação capitalista. A tecnologia obteve avanços em áreas como a robótica, informática e telemática ao mesmo tempo que pestes e doenças do século passado retornaram na década de 90. Estas condições abrem duas possibilida-des: a superação da miséria e da escassez humana, com uma nova moral do trabalho, superando a alie-nação, a brutalização e a insalubri-dade ou o aumento do trabalho mé-dio, exclusão de largas camadas e de continentes inteiros como a Áfri-ca. Até agora tem se dado a segunda possibilidade: a intensificação da exploração da mão-de-obra para re-composição de taxas de lucros para o capital, o aumento da rapina atra-vés das dívidas externas e o domínio do FMI sobre os países mais po-bres. Não acreditamos que seja possível reverter este quadro sem a superação dos limites objetivos do capitalismo junto ás suas relações sociais e políticas. Ao contrário, a tendência do sistema é aprofundar a exploração sobre o trabalho vivo em cada fábrica, loja, serviço, região, país e continente.
Os burgueses não são nossos ali-ados...
A globalização tem até agora uni-ficado o conjunto da burguesia mun-dial. Os conflitos entre capital finan-ceiro, industrial e agrário são cada vez mais momentâneos e até tea-trais. A violenta desnacionalização dos países mais pobres, a recoloni-zação desenfreada, governos sub-missos e rebaixamento cultural e moral dos povos demonstram a fa-lência da idéia de que poderíamos contar com a burguesia nacional como um aliado progressista. Neste sentido, não existem aliados do lado de lá da barricada. As alianças com a burguesia, as Frentes políticas e Eleitorais que setores expressivos da esquerda tem feito em vários países do mundo jogam num beco sem saí-da as esperanças honestas de mu-dança do povo trabalhador e da ju-ventude. Chamar o povo trabalhador a confiar na burguesia e no processo eleitoral da democracia dos ricos como um fim em si mesmo é um cri-me político realizado por dezenas de organizações reformistas espalhadas pelos continentes. Muitos destes setores são impactados pelos acon-tecimentos do Leste Europeu e a queda dos regimes que admiravam; quando governam aplicam o plano neoliberal com ótica “social”, estando integrados à democracia burguesa eleitoreira.
A luta como alternativa... Não acreditamos em outra saída não ser o estímulo às mobilizações po-pulares massivas e pela base.Os exemplos concretos demonstram que é possível negar a globalização do capitalismo, globalizando as lutas das amplas massas exploradas a partir de sua realidade e tendo como objetivo final a derrocada capitalista. A luta palestina, bôsnia, dos co-lombianos contra a invasão norte-americana, da juventude em Praga e Seattle, dos sem terra brasileiros, dos milhões de desempregados que saqueiam e se auto organizam, dos milhões de grevistas em todo o globo são as energias que nos fazem afir-mar: a luta sem pactos com a bur-guesia ainda é a melhor alternativa. Reafirmamos o Socialismo... Uma forte crise ideológica varreu a esquerda com a queda do estalinis-mo no Rússia e no Leste europeu. Isso motivou um giro mais a direita de vários setores da esquerda que agora administram com competência a economia de mercado, especial-mente na Europa, com a 3ª via e a social-democracia. Afirmamos que o capitalismo já vinha sendo restaura-do lentamente nestes países, como atualmente fazem os governos de Cuba e China, por exemplo. O que acabou ruindo foram as ditaduras que usurparam o socialismo em nome de seus privilégios materiais e da pacífica convivência com o capi-talismo. Na nossa concepção, a luta pelo socialismo é atual, válida e está as-sociada a libertação dos trabalhado-res e das massas excluídas. O des-envolvimento cultural e material de hoje possibilitaria um pleno governo dos trabalhadores em transição ao socialismo, alicerçado no poder das massas populares organizadas na democracia direta, controlando a economia e a política do Estado. Isso tudo muito além dos limites instituci-onais impostos por organismos como o Orçamento Participativo que limita o controle popular a uma parte do dinheiro público apenas.
Pela unidade dos socialistas re-volucionários... Apesar das dificuldades objetivas sofridas pelo sistema capitalista, per-cebe-se uma forte crise na orienta-ção política e uma insegurança na viabilidade do socialismo em amplas parcelas da classe trabalhadora . Isso leva a uma dispersão absoluta mesmo entre várias organizações socialistas e revolucionárias, que é outra faceta dos acontecimentos do Leste Europeu. Para o MLS, o sectarismo e a desconfiança precisam ser supera-dos com um forte trabalho comum e leal junto ao debate político qualifi-cado respeitoso, até por que ne-nhuma organização revolucionária sozinha poderá dar conta dos desa-fios que temos pela frente. Prevemos a necessidade de uma unidade muito maior do que já foi feita até hoje para o quadro explosivo que se aproxima e as reações populares contra o sis-tema. Neste sentido, a colaboração leal no marco nacional e internacional, a unidade de ação e se possível a busca de marcos orgânicos comuns são os grandes desafios para a es-querda socialista e revolucionária no próximo período. - Pela unidade das lutas mundi-ais contra a globalização capitalis-ta - Em defesa do socialismo com democracia - Contra as intervenções do im-perialismo e o FMI - Fim do pagamento das dívidas externas - Nenhuma confiança nas bur-guesias nacionais e na 3ª via neo-liberal.
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