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JUVENTUDE E O FSM
A Juventude no Fórum Social Mundial
Haldor Omar Laucirica Garcia
Diretor de Escolas Públicas da UEE-GO (Bloco Rompendo Amarras)
O Fórum Social Mundial, realizado em Porto Alegre, foi idealizado como um contraponto à renião anual do Fórum Econômico Mundial, realizado em Davos. Foi, de fato, um importante espaço de reflexão e troca de experiências entre importantes setores organizados do movimento social mundial.
A verídica afirmação de que "um outro mundo é possível", em oposição ao neoliberalismo, reuniu em Porto Alegre setores dos mais diversos: sem-terra, juventude, indígenas, sem-teto, passando por organizações políticas dos mais variados matizes - anarquistas, socialistas e sociais-democratas.
Às margens do Rio Guaíba, no Parque da Harmonia, foi realizado o Acampamento Intercontinental da Juventude. No mesmo parque estavam as delegações indígenas. Ali a juventude organizou-se centralmente e o que era uma atividade extra-oficial tornou-se oficialmente uma atividade paralela ao FSM, com oficinas e pautas próprias. Os anseios da juventude entraram em conflito com a proposta hegemônica presente ao I FSM: humanizar o capitalismo. A convocatória aberta a todos os setores opositores ao neoliberalismo - uma das múltiplas facetas do capitalismo - fez do FSM um imenso palanque internacional da social-democracia, que propõem a famosa reforma do regime democrático burguês. O Rio Grande do Sul não foi escolhido ao acaso, afinal temos ali o "governo democrático e popular" de Olívio Dutra (PT), que negou-se a fazer coro com Itamar Franco (!) quando este pediu moratória da dívida pública; não se fez presente à gloriosa "Marcha do 100 Mil", realizada em 26 de agosto de 1999 em Brasília; hoje o governo do Rio Grande do Sul possui um projeto de reforma da previdência que não deixa nada a dever ao governo federal; acaba de ser empossado na Secretaria de Educação do Estado nada mais, nada menos que Renato de Oliveira, ex-presidente da ANDES que, em um acordo com ACM e Paulo Renato, derrotou a greve das universidades federais de 1998 e de cara apresentou um projeto de universidade estadual à la FMI e Banco Mundial. O governo de Olívio Dutra desgraçadamente transforma-se a cada dia que passa em um protótipo da "humanização do capitalismo". Mas isso não é o suficiente.
A juventude presente preferiu centrar fogo em questões que somem forças para a construção de uma alternativa anticapitalista, entre elas o não pagamento da dívida externa e a não intervenção militar na Amazônia e na Colômbia; além de um calendário internacional de lutas, aprovado em uma plenária. Isso sem falar nas libertárias formas que a juventude encontrou de se expressar, seja artisticamente, seja mimicamente, seja através da Rádio Muda, uma Rádio Livre instalada no parque, que ensinava a todos os presentes como instalar sua própria Rádio Livre. Bastante lembrados e questionado foram os "três minutos de silêncio por um mundo melhor", proposto na abertura do Rock in Rio. Por acaso a juventude deve se calar diante da barbárie capitalista? Ou seria melhor barulhentas e ruidosas manifestações e atos que incomodem nossos governantes? Variadas formas, mas com um elemento central: a luta anticapitalista.
Ficou definido no encerramento do evento que o próximo Fórum Social Mundial será realizado novamente em Porto Alegre, no primeiro semestre de 2002. Esta é uma importante atividade para os movimentos sociais, principalmente a juventude. Deve ser preparada sem oportunismo nem sectarismo. Mas nossa luta não deve ficar restrita a eventos anuais. Podemos desenhar todo um ano de lutas e nos encontrarmos a cada ano para um balanço do último período, que permita uma melhor organização na construção de uma alternativa anticapitalista, esta sim a única saída para "um mundo melhor".
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